17 janeiro 2015

Caminhe 20 minutos por dia para viver melhor!

 


clip_image002Não será difícil perceber que obesidade e inactividade, muitas vezes andam de mãos dadas. No entanto, sabe-se que as pessoas mais magras têm um maior risco de problemas de saúde se forem sedentárias. E as pessoas com excesso de peso que fazem exercício físico têm melhores indicadores de saúde do que as inactivas

Um estudo, realizado pela Universidade de Cambridge e publicado, em 14Jan2015, no American Journal of Clinical Nutrition, concluiu que 20 minutos diários de exercício físico são suficientes para reduzir o risco de morte prematura.

Foram registadas cerca de 676 mil mortes por ano por sedentarismo, face a 337 mil motivadas por excesso de peso.

Neste estudo, que decorreu durante 12 anos, apuraram uma média de 676 mil mortes por ano por sedentarismo, face a 337 mil motivadas por excesso de peso.

"O maior risco (de morte precoce) está associado aos classificados como inactivos, sejam com peso normal, excesso de peso ou obesidade", afirmou Ulf Ekelund, um dos investigadores.

Ekelund assegurou que eliminar a inactividade na Europa cortaria as taxas de mortalidade em cerca de 7,5%, ou 676 mil mortes, mas eliminar a obesidade reduziria a mortalidade em apenas 3,6%.

"Vinte minutos de actividade física, o equivalente a uma caminhada rápida, é algo possível de incluir em qualquer trajecto para o trabalho, à hora de almoço ou mesmo à noite, em vez de estar sentado a ver televisão"

Os males causados pela inactividade e obesidade são, em grande parte, os mesmos, como as doenças cardiovasculares. No entanto, a diabetes tipo 2 é mais comum entre os obesos.

A mensagem é muito simples:

Um reduzido investimento de tempo em exercício físico diário causará grandes melhorias de saúde em pessoas sedentárias!

MEXAM-SE!!!!!!!

 

Referências:

Ekelund, U et al. Activity and all-cause mortality across levels of overall and abdominal adiposity in European men and women: the European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition Study (EPIC). American Journal of Clinical Nutrition; 14 Jan 2015

 

"Todos os pensamentos verdadeiramente grandiosos são concebidos a caminhar." - Friedrich Nietzsche

05 janeiro 2015

Exercício altera o nosso ADN

 

Nós todos sabemos que o exercício físico pode reduzir o risco de doenças como diabetes, problemas cardíacos, etc. Mas, como é possível que uma corrida ou um treino se pode se traduzir numa vida mais saudável ?

Um novo estudo afirma que a resposta pode estar, em parte, no nosso ADN. Segundo os investigadores, o exercício altera o funcionamento dos genes.

Dependendo dos sinais bioquímicos que recebem do corpo, os genes são activados com o exercício físico. Este estímulo gera respostas fisiológicas imediatas no corpo.

Os cientistas sabem que certos genes tornam-se mais ou menos activos em resultado do exercício.

A epigenética é um processo pelo qual os genes são alterados, mas não o próprio ADN. A metilação é um dos processos epigenéticos através do qual ocorrem alterações no exterior do gene.

Os investigadores sabem que existem padrões de metilação face a alterações de estilos de vida como certas dietas ou ambientes poluentes. Dependendo dos genes envolvidos, estas alterações podem afetar a nossa saúde e aumentar o risco de doença.

Muito pouco se sabia sobre o exercício e a metilação. Alguns estudos descobriram que uma única sessão de exercício gera mudanças imediatas nos padrões de metilação de alguns genes em células musculares. Mas, a longo prazo, não é claro se o treino físico frequente afeta a metilação.

No Instituto Karolinska, em Estocolmo, os investigadores recrutaram 23 homens e mulheres jovens e saudáveis, fizeram-lhes uma série de exames médicos, incluindo uma biópsia muscular, e, em seguida, pediram-lhes para treinar apenas um membro inferior durante três meses.

Uma das dificuldades nos anteriores estudos eram exactamente as mudanças epigenéticas uma vez que o que é complicado isolar os efeitos do exercício dos da dieta ou de outros comportamentos.

Esta dificuldade foi ultrapassada já que os referidos voluntários pedalavam uma bicicleta com apenas uma perna, deixando a outra em repouso. As duas pernas poderiam sofrer padrões de metilação, influenciados por factores da vida quotidiana, mas apenas a perna que iria pedalar poderia eventualmente mostrar mudanças relacionadas com o exercício.clip_image002

Os voluntários pedalaram a um ritmo moderado durante 45 minutos, quatro vezes por semana, durante três meses. Posteriormente, os investigadores repetiram as biópsias musculares bem como outros testes com os voluntários.

Sem surpresa, a perna exercitada pelos voluntários era mais forte, demonstrando que o exercício produziu melhorias físicas.

Mas as mudanças dentro do ADN das células musculares era mais perturbador. Os investigadores determinaram que mais de 5.000 locais do genoma das células musculares da perna exercitada tinham novos padrões de metilação.

Curiosamente, muitas das alterações de metilação estavam em porções do genoma conhecido como intensificadores que podem amplificar a expressão de proteínas de genes. E a expressão do gene foi visivelmente aumentada ou mudado em milhares de genes das células musculares que osinvestigadores estudaram.

A maioria dos genes em causa são conhecidos por desempenhar um papel no metabolismo de energia, a resposta à insulina e a inflamação no interior músculos. Por outras palavras, afectam o grau de saúde e preparação dos músculos.

Esses mesmos genes não foram alterados na perna não exercitada.

A mensagem deste estudo é evidente. "Através do treino aeróbico, é possível obter uma mudança do estilo de vida, facilmente disponível para a maioria das pessoas, sem grandes custos monetários.

Um dos investigadores do estudo afirmou que "podemos induzir mudanças que afetam o modo como usamos os nossos genes e, através disso, obter músculos mais saudáveis e funcionais que, consequentemente, melhoram a nossa qualidade de vida".

O estudo original, publicado em 07Dez2014 está disponível aqui para eventual leitura aos mais interessados.

 

Referências

 

Lindholm ME, Marabita F, Gomez-Cabrero D, Rundqvist H, Ekström TJ, Tegnér J, Sundberg CJ. (2014). An integrative analysis reveals coordinated reprogramming of the epigenome and the transcriptome in human skeletal muscle after training.Norway.

DOI: 10.4161/15592294.2014.982445

 

Reynolds G (2014). How Exercise Changes Our DNA. The New York Times.

 

“Todos os segredos do sucesso não funcionarão a menos que ponhas a mão na massa…” – Anónimo